24 de março de 2009

Tell me how it feel
tell me how to feel it.

(quero dormir o sono do sete)

((e na Radar passa Blowers Daughter))

22 de março de 2009

"Orações Soburdinadas"

http://aeiou.visao.pt/oracoes-soburdinadas=f500531

(e preparo-me para acabar o Memória de Elefante

(num Quarto 210))

21 de março de 2009

Liguei à Fonseca num estado tal que não me lembro, na noite em que fez dez meses com o Anthony. Dez meses, dez meses com o Anthony.
E como eu e Tânia (hoje pensei em ti e nem te disse) almadiçoámos essa vossa relação de "só amizade" mesmo à frente do Mike (dei-te os parabéns no mesmo dia em que te devia ter dado uma flor, mas não dei

(e pergunto-me como teria sido se assim te tivesse confiado a tal rosa que havia colhido no início do ano. um dia mando-me questionar-te sobre tal
(um dia mando-me questionar toda a gente sobre as rosas que devia ter dado e por medo e sei la o que mais, não dei

(e porque cometes sempre o mesmo erro? um dia murcha o teu jardim

(raios tu também, rouba-mas se tal for necessário)))))

Fizeste dez meses ao que estava condenado por nós a semanas. Não sei que te fazer, que vos fazer. Dizei-me oh Deuses da eterna (tempo que me desgraças) sabedoria da insensibilidade

(a conversa de sempre, de sempre, de sempre. preciso de renovar argumentos, abrir novas portas de meu armário do meu sotão do meu jardim.

(Dai-me a ler as vossas bíblias))

Vou-me que este tempo não é para mim (e viver no tempo dos cavalheiros e das damas de lenço).

19 de março de 2009

((Quero um peixe dourado
o meu casaco virado ao contrário
botões nas minhas árvores

quero o piano do andar de baixo
o relógio do vizinho de cima

quero um bolo de laranja
laranjas da montra da loja da senhora com baton))

Uô, uô, uô, uã

8 de março de 2009

Carlota Joaquina

minha papoila dourada, como te adoro.

4 de março de 2009

Confissões de Lúcio

[…] assim éramos nós obscuramente
dois, nenhum de nós sabendo bem se o
outro não era ele-próprio, se o incerto
outro viveria…
Fernando Pessoa
«Floresta do Alheamento»

saí do comboio anseando um sítio seco, longe da chuva onde o pudesse acabar.
alojei-me no último andar do Via Catarina onde li as últimas dez páginas, alheada de tudo.
Perturbador

23 de fevereiro de 2009

revisitado o local. procuro o simbolismo:
a noite
ou o dia

(contar-vos-ei um segredo. um dia contar-vos-ei o meu único verdadeiro segredo

coloca-lo-ei entretanto no jardim do esquecimento

enquanto neste mundo me equlibro e equilibro-vos em mim)

21 de fevereiro de 2009

a virgem, a semi puta e a puta (que viraria santa nessa noite depois de acompanhar a primeira na lastimável acção do esquecimento
(como gosto de vocês
(sim sim, há pessoas fantásticas

há as extraordinárias (o completo êxtase da puta)
há as horríveis (o completo êxtase da virgem)
e há as fantásticas:
la la la la la la la la in anyone else
But you

(fechado em mim para não perder, vender ou deixar esquecido num jardim (o grande jardim do esquecimento, imaginai-o

(falando em esquecimentos, o meu pobre telemovel deixado no comboio, recuperado em Coimbra (que cheia estavas para quem o tempo não avança) seguido de um cómico "desculpe é o senhor Nuno Loiro?" (e se me desse para estar falando com um Amor ou um Carlos Chato ou uma Rita Puta?))))))


[e o raio (raio raio raio (indo indo (e o ito ito ito (com o al al al al (depois de bio bio bio (nos ecos ecos ecos)))))) dos espaços, palavras, letras. raios com raios vos colapsai fora de mim, bicho estranho que sois (nao, ficai. Fazeis-me bem, bem bem.)

finalmente tempo para ler."Senão, leiamos."

desculpai o puta e semi-puta.

17 de fevereiro de 2009

Depois de tocar o Andante em C de Mozart vezes e vezes apercebi-me que não me importava de passar a vida a tocar nas ruas.

Epifania.

Tomara uma epifania na rua Santa Catarina.

Ou na rua Sofia onde me juntarei à Acordeonista (perguntar-lhe-ei o nome da música que tocou na minha cabeça todo aquele sábado)

Retomo Comptine d'un autre ete

(um dia terei um piano e serei pianista)



[House of Cards]

10 de fevereiro de 2009

falaríamos dos meus botões

da mancha vermelha no meu terceiro dedo da minha mão direita (aquela com que ainda não te escrevi nenhuma carta)

falaríamos do céu lilás e das suas nuvens verdes (escolhe tu as cores, eu pinto-as)

de como agora são 19h:19 e acreditas, como eu e mais ninguém, que realmente alguém pensa em nós

falaríamos do filme que vi ontem sozinha sonhando estar num cinema vazio

no baloiço imóvel que espera por alguém ao fundo da rua, onde nos cruzámos numa noite em que o sol invejava a lua (e a chuva)

falaríamos dos mapas dos teus mundos

do perfume da rapariga que passou por nós, do bom dia respondido, do cachecol do suposto artista, do andar da velhota

falaríamos das bolhas da água ou da forma do malmequer (um dia conto-te um segredo)

do rio de algodão (escolhe a cor, eu pinto) escondido da cidade cinzenta onde ninguém se encontra

falaríamos mal do mundo, amaldiçoaríamos os felizes

(não percebem estarem tão vazios como nós)

sussuraríamos nas sombras da minha rua

sobre a tua alma que não conheço.

9 de fevereiro de 2009

A minha Julianne fez hoje anos

a minha irmã que não gosta de beijos e que se casará com o Pedrito

A minha Júlia que pintou um picasso que preenche a sala (onde o meu pai dorme agora, sentado na cadeira à frente da lareira cujos sons se confundem com a radar (a companhia de sempre a esta hora))

a minha Juliana que diz não gostar de pessoas

a outra metade dos meus pais que hoje, com um olhar penetrante nas velas, me ia fazendo chorar.

[sabes quando a dor é tanta, te preenche na totalidade, não te deixe respirar, não pensas. Foste essa dor.
Ainda és.
Desculpa-me. Desculpa-me mas ainda és]

Poder ver o vestido que a mão lhe deu (vai ficar linda).


Ontem desci a rua na esperança de te encontrar
devias estar a dormir (queria que dormisses em mim, no canto dos sonhos, em que nos lembramos enquanto duram mas esquecemos quando acabam. Sim, devias ser um sonho).