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não controlo meu anjo, já percebeste que não.
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um buraquinho que criámos, tentámos depois tapar mas não funcionou.
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e cresceu e cresceu.
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desculpem-me.
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27 de julho de 2011
24 de julho de 2011
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"Apesar de ela ser alguém que conhecia bem a resistência física, estava a terminar o seu combate, era evidente. O seu aspecto começava a aproximar-se já da fronteira em que a compaixão dos outros cede o seu lugar a um certo nojo que, mesmo quando controlado e humanamente reconstruído numa contenção de comportamentos, não permite já certos gestos espontâneos de ajuda ou aproximação. Ela percebia isso, e por essa razão cedera. "
Aprender a rezar na Era da Técnica, Gonçalo M. Tavares
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22 de maio de 2011
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"Há ali uma poça - disse Rhoda-, e não a consigo atravessar. Escuto o ruído da mó, que me chega vindo de um ponto a escassos centímetros da minha cabeça. O vento ruge quando me bate no rosto. Todas as formas palpáveis da vida me abandonaram. Serei sugada pelo corredor eterno se não conseguir agarrar nada de sólido. Sendo assim, em que poderei tocar? Que tijilo, que pedra, me possibilitará regressar ao meu corpo em segurança?"
.As Ondas, Virginia Woolf
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7 de maio de 2011
27 de março de 2011
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começaríamos por voltar a quatro semanas atrás: época de exames e amesterdão passados, retomar a rotina, as aulas, o laboratório, as festas, os filmes e passeios, as conversas no salão sobre a vida dos outros pouco sabendo sobre a nossa.
reparei apenas numa certa irritação, nada de mais. talvez a audição ou a prova de formação.
lembro que na segunda estava mais angustiada, sem paciência para o habitual. fecho-me no quarto à espera que o dia seguinte chegue, recebo a chamada, fico à espera de outras chamadas, resolvo ir lá e voltar no mesmo dia - nada de grave, o nervosismo a que nos vem habituando.
Chego, oiço, o chão treme, começam a abrir-se fendas, o som horrível da terra a revolver-se.
Primeiro ouves, depois acreditas, depois percebes. Não, não. volta atrás, ouve o que te dizem primeiro, foca-te no que te estão dizer [tanto ruído, os miúdos a berrar, as enfermeiras, os comprimidos, a médica, a minha mãe, as velhas, o meu pai, as cartas, o chão que não pára de ranger]. ouviste o que te disseram? houve agora os pormenores, delicia-os.
Passa-lhe a mão no cabelo, diz-lhe o quanto gostas dela, beija-lhe a face, promete-lhe que vai tudo ser melhor.
Vais a casa buscar as coisas dela. mexes-lhe na roupa, nos perfumes, nos desenhos, nos livros, nas suas intermináveis caixas - não a sabias assim.
as chaves sempre a trancar as portas, as janelas tapadas, os bêbados nojentos, os cinco minutos em que te perguntam se estás bem, as anoréticas, as duas semanas que já vão em quatro, o diagnóstico que não chega, sabem lá eles o que te dizem.
sei lá eu o que te digo, sei lá eu o que te dizer, estou-me a esgotar nos argumentos.
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começaríamos por voltar a quatro semanas atrás: época de exames e amesterdão passados, retomar a rotina, as aulas, o laboratório, as festas, os filmes e passeios, as conversas no salão sobre a vida dos outros pouco sabendo sobre a nossa.
reparei apenas numa certa irritação, nada de mais. talvez a audição ou a prova de formação.
lembro que na segunda estava mais angustiada, sem paciência para o habitual. fecho-me no quarto à espera que o dia seguinte chegue, recebo a chamada, fico à espera de outras chamadas, resolvo ir lá e voltar no mesmo dia - nada de grave, o nervosismo a que nos vem habituando.
Chego, oiço, o chão treme, começam a abrir-se fendas, o som horrível da terra a revolver-se.
Primeiro ouves, depois acreditas, depois percebes. Não, não. volta atrás, ouve o que te dizem primeiro, foca-te no que te estão dizer [tanto ruído, os miúdos a berrar, as enfermeiras, os comprimidos, a médica, a minha mãe, as velhas, o meu pai, as cartas, o chão que não pára de ranger]. ouviste o que te disseram? houve agora os pormenores, delicia-os.
Passa-lhe a mão no cabelo, diz-lhe o quanto gostas dela, beija-lhe a face, promete-lhe que vai tudo ser melhor.
Vais a casa buscar as coisas dela. mexes-lhe na roupa, nos perfumes, nos desenhos, nos livros, nas suas intermináveis caixas - não a sabias assim.
as chaves sempre a trancar as portas, as janelas tapadas, os bêbados nojentos, os cinco minutos em que te perguntam se estás bem, as anoréticas, as duas semanas que já vão em quatro, o diagnóstico que não chega, sabem lá eles o que te dizem.
sei lá eu o que te digo, sei lá eu o que te dizer, estou-me a esgotar nos argumentos.
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6 de agosto de 2010
"Everything is more complicated than you think. You only see a tenth of what is true. There are a million little strings attached to every choice you make; you can destroy your life every time you choose. But maybe you won't know for twenty years. And you may never ever trace it to its source. And you only get one chance to play it out. Just try and figure out your own divorce. And they say there is no fate, but there is: it's what you create. And even though the world goes on for eons and eons, you are only here for a fraction of a fraction of a second. Most of your time is spent being dead or not yet born. But while alive, you wait in vain, wasting years, for a phone call or a letter or a look from someone or something to make it all right. And it never comes or it seems to but it doesn't really. And so you spend your time in vague regret or vaguer hope that something good will come along. Something to make you feel connected, something to make you feel whole, something to make you feel loved. And the truth is I feel so angry, and the truth is I feel so fucking sad, and the truth is I've felt so fucking hurt for so fucking long and for just as long I've been pretending I'm OK, just to get along, just for, I don't know why, maybe because no one wants to hear about my misery, because they have their own. Well, fuck everybody. Amen."
do filme Synecdoche, New York
12 de julho de 2010
7 de fevereiro de 2010
8 de dezembro de 2009
ouvia na biblioteca quente Carla Bruni. A Professora Florbela perguntava-me por quem suspirava eu, no meu canto, a espreitar lá para fora, a espreitar para além das grades azuis que sempre senti prenderem-me.
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e chego a este ponto e percebo que as minhas amarras sempre fui eu, fui e ainda sou eu.
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e chego a este ponto e percebo que as minhas amarras sempre fui eu, fui e ainda sou eu.
L'Excessive.
somos excessivas.
Excessivamente.
e sentes todo o mundo à tua volta a girar e só te ris, gargalhadas bem altas que todos fingem não ouvir porque sabem o que te diverte e têm vergonha.
tenhamos vergonha de todo o excessivamente vazio que todos preenchemos com coisas excessivamente ocas, não têm volume, não têm forma, nem cheiro nem cor nem sabor
vês
nada
o excessivamente nada.
gargalhadas audíveis para além das quatro paredes do mundo que perfuram os tímpanos de todos os excessivamente ocupados com o nada e que te ignoram porque lá no fundo
lá bem no fundo
sabem que são tão mas tão excessivamente nada nada nada nada
e mostram-se e berram-se ao mundo para se convencerem do contrário.
e nós divertimo-nos.
Voltámos. L'Excessive, Je suis excessive.
12 de agosto de 2009
Nota Quatro-última
Esta nossa Estação de Comboios mudará de cidade.
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Para mais informações contacte através dos comentários, e-mail ou carta.
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e são 16:18 e encerro o meu blog.
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Encontramo-nos em novas paragens e no Purple Elephant.
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Para mais informações contacte através dos comentários, e-mail ou carta.
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e são 16:18 e encerro o meu blog.
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Encontramo-nos em novas paragens e no Purple Elephant.
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8 de agosto de 2009
Nota Três
algo parecido com:
pareces uma maçã.
porquê?
a maçã também está-se sempre a mexer porque quer sair da árvore,estás sempre a sair do teu lugar (consegui?).
e houve ainda a alusão a dois elefantes (um com o qual me pareço), a uma girafa, a cobras, a pacotes de açúcar, a um bebé de dois meses que cresce na minha barriga, a uma visita (contornaremos a questão) e a olhos nas bochechas (quatro portanto. seis, pois mostrei-lhe o terceiro par, apesar de apenas ter visto um fiozinho verde como o outro via (quando permitia que só ele me olhasse nos olhos (e ainda ontem falei de ti e do teu intelecto e lembrei-me constrangida da nossa serventia (conversávamos outro dia sobre o morrer e o arrependimento e contei as desculpas que tenho ainda que pedir. um dia roubo coragem a alguém e bato-te à porta)))).
mais tarde a cancro.
e a cancro.
e a cancro.
e a cancro.
o da senhora de olhos azuis, o da mãe da amiga (que é afinal prima), o do desconhecido que se ofereceu para ajudar o suposto louco que acabou por lhe contar a vida e por lhe transferir não se sabe bem o quê (espiritual, pareceu-me) que segundo o louco o matou, a ele e ao empregado, e o da mãe (falas agora no Setembro
Há um Setembro.
Houve um Dezembro. Houve um Janeiro. Houve todas umas semanas até Julho. Houve Julho. Há todos uns dias até Setembro.
E há umas flores todos os meses e há um ritual todas a noites.)
pareces uma maçã.
porquê?
a maçã também está-se sempre a mexer porque quer sair da árvore,estás sempre a sair do teu lugar (consegui?).
e houve ainda a alusão a dois elefantes (um com o qual me pareço), a uma girafa, a cobras, a pacotes de açúcar, a um bebé de dois meses que cresce na minha barriga, a uma visita (contornaremos a questão) e a olhos nas bochechas (quatro portanto. seis, pois mostrei-lhe o terceiro par, apesar de apenas ter visto um fiozinho verde como o outro via (quando permitia que só ele me olhasse nos olhos (e ainda ontem falei de ti e do teu intelecto e lembrei-me constrangida da nossa serventia (conversávamos outro dia sobre o morrer e o arrependimento e contei as desculpas que tenho ainda que pedir. um dia roubo coragem a alguém e bato-te à porta)))).
mais tarde a cancro.
e a cancro.
e a cancro.
e a cancro.
o da senhora de olhos azuis, o da mãe da amiga (que é afinal prima), o do desconhecido que se ofereceu para ajudar o suposto louco que acabou por lhe contar a vida e por lhe transferir não se sabe bem o quê (espiritual, pareceu-me) que segundo o louco o matou, a ele e ao empregado, e o da mãe (falas agora no Setembro
Há um Setembro.
Houve um Dezembro. Houve um Janeiro. Houve todas umas semanas até Julho. Houve Julho. Há todos uns dias até Setembro.
E há umas flores todos os meses e há um ritual todas a noites.)
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